sexta-feira, 1 de julho de 2016

à Augusto Hendricus

O Augusto vive agora numa grande reserva interior, criando entre nós uma vasta zona de silêncio que se transforma em neblina afectiva; soube sempre onde o encontrar para onde lançar toda minha pujança, e encontrar eco; só a travessia da metanoite que, por estes dias, principiei a tentar escrever (...) uma escrita qualquer como qualquer outra que nada diz e persiste. E cansa. E jura. E paráfrase. E apropria. Escrevo e imagino, criando mais imagens, e essa agora é de você num quarto predominantemente branco, bebendo vinho, uma canseira do nada que pesa e uma preguiça de querer dar nome para as sensações que passaram a habitar seu corpo. ________________________________________capacidade de produção de um terreno ou solo. saio para comprar um envelope. Estou lembrada, não estou lembrada fascinantemente esqueci e recordo com certo medo porque enganosa essa memória (...)que o tempo não conduz. Penso em você novamente, por vezes muitas vezes não dizer, mas sempre sentir: que seu sorriso me bloqueia, Ora ele observou que tu, por vezes a anos de distância, não apagas o rasto do seu trajecto. Bloqueia não, gente. É um contágio mesmo. Penso agora no seu corpo percorrendo essas ruas essas cidades esses lugares que que que que com muito esforço tento construir na imaginação mas não consigo nada além de umas calçadas de pedra “________ num inconsolável abismo em que as pedras do fundo e as próximas eram cabeças humanas. Jesus, Maria, José: que que isso? Ontem no bar eu já senti algo de saudade ou, quando olhei pro seu rosto. Não sei dizer, os últimos abraços são tão esticados. Parei aqui, pareço despedir de uma vida inteira, mas é um tempo tão fluido como todos os outros - cada qual de nós nos seus envolvimentos e claro que alguma pontada ou outra de sentimento sem nome será velada (...) o horizonte é vasto, o mar é interior e a vida, paradoxalmente, não sei se tem duração, ou não.                                                                   Dizem que se balançar o pé, cai. Cai? Resolvi esperar à sombra, dessa árvore. Confortável uma brisa fresca vez turva outra macia vez granizo outra e por assim vou encostado, ando sem mover uma pata. Vez turva outra macia outra derruba o próprio fruto na minha cabeça outra sua cabeça outra e daí você de volta, “____as ideias abrem caminho, vão de um para outro lugar. Como os objectos. Ou os móveis. Ou o vento entrando e saindo das árvores. A física das palavras sólidas e dos sentimentos cruza-se com a das emoções da mente o os líquidos voláteis.                                                                                                            ...vão sozinhas pelo há.
Sem saber agora o que mais bobear aqui, por tantos (palavras que digo é enquanto grafia esvaziada) códigos abertos à ventania: é você quem capta e isso não quero somar à sua canseira (existe?): fica com o nada: claro que se mais-querer pode. Fica com o nada! Que o que somos já o é, e é mesmo que não seja (...) cansa-me, não que não exista. Mas eu não quero deixar morrer a ideia que me parece exacta -, de que as coisas vivem por profundezas ou tênues camadas, em si mesmas. Como parar o sol na parte mais fria da piscina?


*CitaçõesFragmentos do livro Diário III de Maria Gabriela Llansol

                                                                                                                                             
 Volte sempre

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